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Empresário cria loja que distribui produtos de graça para a população

Bydaianelealcosta

jan 18, 2021

Imagine uma loja onde tudo o que está à disposição do consumidor é grátis. Alimentos, cosméticos, produtos de higiene pessoal, tudo gratuito. Essa loja, na realidade, uma rede delas, existe e atende pelo nome de Mimoo.

Instaladas dentro de shoppings, com acesso fácil ao metrô, as lojas da Mimoo foram idealizadas pelo empresário Ernesto Guimarães Villela, de 43 anos, fundador da iniciativa (que se desdobroou em um site e aplicativo) e único sócio da empresa. “O nome vem de mimo, de mimar, agradar as pessoas”, explica Villela.

De cerveja a creme importado, os produtos são grátis nesta loja em SP |  Exame
Ernesto Vilela, fundador da Mimoo Grátis: modelo busca ajudar empresas parceiras a divulgar e testar produtos (Mimoo/Divulgação)

O projeto começou em julho de 2019, quando a primeira loja da rede foi aberta no Tucuruvi, bairro da zona norte da capital paulista. “A ideia era testar o modelo e oferecer produtos de graça para a população”, diz o empresário.

“Demorou mais ou menos um mês para começar a formar fila e depois foi um sucesso. Antes da pandemia, nossa loja era sempre uma festa, um clima de alegria”, completa. Por conta da pandemia, horários estão restritos e o fluxo de pessoas também, mas as lojas permanecem abertas, de acordo com os protocolos estabelecidos para conter o avanço da doença.

De lá para cá, o projeto se expandiu, mas mantém a ideia de oferecer os produtos em lojas físicas, instaladas, por enquanto, apenas em São Paulo. Nesse modelo, os shoppings onde as lojas foram montadas funcionam como uma espécie de parceiro: o estabelecimento da Mimoo ocupa um espaço, mas retribui em movimento para o shopping.

“Estamos com sete lojas, todas em São Paulo. Tentamos nos instalar em todas as zonas populosas de classes média e baixa da capital, e todos os shoppings têm metrô dentro ou muito próximo, para facilitar o acesso”, diz Villela. O consumidor pode acessar o site da Mimoo e verificar o que é necessário para ter acesso aos produtos gratuitamente.

Produtos para todos

O modelo de entrega dos produtos mudou ligeiramente desde o início da Mimoo. Agora, para ter acesso aos produtos, qualquer pessoa pode se inscrever no app oficial da empresa, lançado em dezembro do ano passado. Com isso, o consumidor acumula pontos, que podem ser trocados pelos produtos nas lojas físicas.

Dá para acumular pontos cumprindo as “missões” propostas dentro do app, que podem incluir coisas simples, como fotografar quais produtos a pessoa tem em casa, enviar cupom fiscal de farmácia e supermercado, responder a questionários, etc. Cada ponto vale R$ 0,05. “Então, se a pessoa tem 100 pontos, acumulou R$ 5 reais e já pode ir a uma das lojas e trocar por uma barra de chocolate, por exemplo”, explica o empresário.

O app lançado em dezembro já acumula 72 mil usuários no app. “Só naquele mês, fizemos 140 mil ‘resgates’, ou seja, as retiradas de produtos”, diz Villela.

De onde vêm os produtos

Para o negócio funcionar, a Mimoo trabalha basicamente com parcerias e alguns investimentos. A ideia é que as marcas entreguem os produtos nas lojas da Mimoo, por exemplo, quando querem apresentar algo novo ao consumidor. Assim, em vez de colocar promotores dentro de supermercados, com degustações, as marcas enviam seus novos produtos direto para as lojas da Mimoo, onde poderão ser retirados pelos consumidores.

“Isso hoje corresnponde a 60% do volume da loja. Os outros 40% tem a ver mais com o caráter de sustentabilidade, que é acabar com a perda das empresas. Como as grandes marcas antecipam a produção em anos, isso pode gerar uma perda muito grande quando os produtos não são vendidos. Assim, cosméticos, alimentos, produtos de higiene e etc, que não foram vendidos e ainda estão bons para consumo, vão para as lojas da Mimoo”, esclarece o empresário.

“E o que eu quero é pegar essa potencial perda das indústrias e dar acesso aos produtos à população de baixa renda. Faz uma megadiferença na vida de uma pessoa que não poderia comprar um batom, uma maquiagem, poder entrar numa das nossas lojas e ter acesso a isso. Temos um papel de empoderamento das classes C e D, o que ajuda, inclusive, a fortalecer a auto-estima dessas pessoas.”

18 janeiro de 2021

Por Luciana Mastrorosa, do R7

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