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Vencedora do prêmio Notáveis CNN: saiba quem é a 1ª vacinada no Brasil

Bydaianelealcosta

jan 18, 2021

 A primeira vacinada contra a Covid-19 no país foi a enfermeira intensivista Mônica Calazans, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas –considerado a maior referência no tratamento de doenças infecciosas na América Latina. Ela foi a vencedora do prêmio Notáveis CNN em 2020 pela sua luta contra o coronavírus.

O nome da primeira imunizada foi revelado pela jornalista Mônica Bergamo e confirmado pela CNN.

O Hospital das Clínicas de São Paulo iniciou a vacinação neste domingo (17) após a aprovação da Coronavac para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Mônica tem 54 anos. Mulher e negra, ela é hipertensa e diabética.

Residente em Itaquera, na zona leste da capital, Mônica trabalha em turnos de 12 horas, em dias alternados, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Emílio Ribas e no Pronto-Socorro de um hospital municipal de São Mateus, também na zona leste de São Paulo.

Em fevereiro de 2015 foi aprovada num concurso público para a área da saúde e aguardava ser chamada. Logo no início da pandemia foi chamada, num regime de emergência, pelo Governo de São Paulo, e teve a oportunidade de escolher o local de trabalho. Optou pelo Emílio Ribas por considerar o hospital como referência.

Mônica foi auxiliar de enfermagem por 25 anos, e se graduou em Enfermagem aos 47 anos. É viúva e mora com o filho, de 30 anos, além de cuidar da mãe, de 72 anos, que vive sozinha em outra casa, no mesmo bairro.

Teve parentes e amigos com o novo coronavírus, mas não esmoreceu e seguiu em frente. Foi da linha de frente e uma das voluntárias da terceira fase dos testes clínicos da Coronavac. Ela recebeu placebo. Nos exames constaram que ela não tem imunidade, proteção contra o vírus. 

Quem é a enfermeira escolhida para ser a 1ª vacinada no Brasil | Exame
A enfermeira intensivista Mônica Calazans, escolhida Heroína do Ano, se emocionou ao receber o troféu do Prêmio Notáveis CNN 2020
Foto: Renato TK

Heroína do ano

Ao receber o prêmio Notáveis CNN em dezembro do ano passado, em 2020, Mônica se emocionou. “Eu não sei nem se essa palavra, heroína, cabe a mim. Falo por mim, por todos os profissionais de saúde que ainda estão na linha de frente e aqueles que não estão mais com a gente, que tentaram fazer um trabalho perfeito e foram arrebatados pela doença”, disse.

No país com o maior número de enfermeiros vítimas da Covid-19 em todo o mundo, ela falou sobre como tem enfrentado a realidade da pandemia. A equipe da premiação acompanhou Calazans antes de ela saber que receberia o troféu.

“Desde o início, eu estou na linha de frente. Eu tenho hipertensão, tenho diabetes e obesidade. Eu não sei por que eu não tenho medo. Não consigo explicar isso. É uma profissão em que você não pode ter medo”, contou a enfermeira.

“Você segura a onda e tem que trabalhar. Você tem que segurar o seu psicológico. Na realidade, você não pode se abalar com tudo o que está acontecendo. Você tem que ser muito forte”, diz ela, que já perdeu quatro amigos para a Covid-19.

“Eu me considero vencedora, porque desde o início eu estou me dando de peito aberto para cuidar das pessoas. Eu só tenho a agradecer”, revelou a enfermeira.

Ao receber o troféu, Calazans dedicou a homenagem a duas colegas de trabalho e ao filho.

“Quero dedicar a duas pessoas em especial. Uma delas é minha chefe, a Marli, enfermeira do Emílio Ribas. E a outra chefe é a Elizabete, enfermeira do outro hospital em que eu trabalho. Elas foram essenciais na minha vida nesse período. São pessoas admiráveis, pessoas ímpares”, contou.

18 janeiro de 2021

Por André Rosa, da CNN

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