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Após ficar paraplégica, jovem cria empresa que destina lucro a projetos sociais e encontra seu propósito de vida

Bydaianelealcosta

jun 25, 2021

“Eu acredito que nada na vida é por acaso”. A frase é da brasiliense Isabela Fialho, que ficou sem andar por quatro anos devido a dois erros médicos em um procedimento para a redução da mama.

Na hora de aplicar a anestesia em Bela, o médico errou o local, acertando um nervo. Dois meses depois, outro anestesista também errou ao passar um cateter para aliviar a dor de Bela, desta vez, acertando a sua medula, provocando a paralisia.

Bela passou cinco meses internada, incluindo 50 dias na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Sem poder andar, engana-se quem acha que a sua vida parou, pelo contrário. Nessa época, ela fazia duas faculdades, de Publicidade e Propaganda e de Comunicação Organizacional.

“Quando eu voltei pra casa, ainda estava numa situação ruim. Não conseguia sentar, pois minha cadeira era mais para deitar. Ficava muito tempo deitada”, lembra ela.

mulher paraplégica faz fisioterapia
Bela precisou de muita fisioterapia para voltar a andar. Foto: arquivo pessoa

Doces para adoçar a vida de quem mais precisa

Como também gosta muito de doce, em novembro de 2016, Bela começou a fazer bombons para vender e preencher o máximo de tempo que conseguisse.

Mal sabia ela que seu passatempo logo, logo adoçaria a vida de muita gente em situação de vulnerabilidade.

Em dezembro, de férias nas duas faculdades e com a fisioterapia também parada, Bela, hoje com 24 anos, seguiu firme com a produção de bombons. Mas ela sentia um vazio: queria porque queria fazer uma ação social! Uma vontade que desabrochou quando ainda estava internada no hospital.

“Na Páscoa seguinte, eu fiz os bombons de novo. Já estava melhor e o meu irmão sugeriu, ‘e agora, vamos fazer [ação social]?’. Eu falei, ‘vamo!’. Nem pensei. Aí eu achei o abrigo dos excepcionais da Ceilândia. É um abrigo com 50 deficientes mentais e físicos que foram abandonados pela família. E de novo, nada é por acaso.”

pessoa fantasiada coelho festa páscoa abrigo
Jovem surpreendeu abrigo com festa de Páscoa. Foto: reprodução/Instagram @keepsweet.doces

Bela mobilizou 40 amigos e fez uma super festa de Páscoa no abrigo. Teve gente fantasiada de coelho e, ali, foi plantada a sementinha do Keep Sweet, um clube de assinatura de caixa de doces que destina 100% do lucro para projetos sociais.

“Cada mês a gente ajuda um projeto diferente de um lugar diferente. Esse é o meu propósito de vida. Passei por tudo isso por algum motivo e esse é um deles”, afirma a jovem.

caixa chocolates
Clube de assinatura reverte 100% do lucro para projetos sociais de diferentes lugares. Foto: reprodução/Instagram @keepsweet.doces

“Deficiência não é limitante. Deficiência é identidade”

Bela é a maior prova de que a deficiência não é uma sentença de incapacidade. Ela sentia que precisava mostrar isso ao mundo e assim o fez.

Contando sua história de superação e de outras quatro pessoas que utilizam cadeiras de rodas, ela lançou o livro Rodas para Voar, como projeto de conclusão da faculdade de Comunicação Organizacional.

“A intenção do livro é mostrar para as pessoas que a deficiência não é limitante. Deficiência é identidade. A cadeira de rodas não limita a pessoa com deficiência. É direito fazer tudo. Elas trabalham, namoram, vão para festas…”

jovem cadeirante curte show música
Bela escreveu o livro para mostrar que a cadeira de rodas não limita seus sonhos nem de outras pessoas. Foto: Maurício Oliveira

Para Bela, o que mais lhe causava dor era o olhar de pena das pessoas. Ela ouvia nos corredores do hospital coisas do tipo: “Coitada, tão nova, com a vida toda pela frente”.

“Eu falei, ‘gente, a minha vida nunca esteve tão pra frente. Não quero ser vista como uma coitada, mas como uma pessoa que consegue fazer as coisas.”

Bela abandonou a cadeira de rodas, mas conquistou muito mais: uma boa razão para levantar todos os dias! Foto: arquivo pessoal

A vitória de Bela é dupla, minha gente! Além de voltar a caminhar com as próprias pernas, ajuda quem tanto precisa de uma mão amiga.

É isso o que ela chama de propósito de vida e pode ter certeza: se precisasse passar por tudo o que passou uma vez mais, para se encontrar com esse propósito, a resposta não faz curva:

“Eu faria porque eu sou outra pessoa.”

Voaa, Bela! Você é inspiração, pode acreditar!

 

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