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Idoso diagnosticado com demência comanda orquestra sinfônica aos 81 anos: ‘Foi mágico pra mim’

Bydaianelealcosta

out 14, 2021

Um pianista de 81 anos que sofre de demência desafiou seu diagnóstico para realizar o sonho de uma vida: reger uma orquestra sinfônica que tocava suas próprias canções.

Paul Harvey se tornou conhecido nas redes sociais em setembro do ano passado, depois que seu filho Nick o gravou improvisando uma peça musical de dois minutos com quatro notas – Fá natural, Lá, Ré e B natural – e postou a filmagem no Twitter, onde rapidamente viralizou.

Nick postou o vídeo para mostrar como a habilidade musical pode sobreviver à perda de memória. Meses depois, Paul conquistou o coração dos britânicos ao tocar piano ao vivo para uma emissora de TV a partir de sua casa, em Sussex.

Na ocasião, a canção foi gravada pela Orquestra Filarmônica da BBC como single, com arrecadação revertida para a “Alzheimer’s Society and Music for Dementia”, que faz campanha para que pessoas com a doença tenham acesso gratuito à música como parte de seus cuidados.

Para marcar um ano desde que tocou sua composição na TV, Paul foi convidado para reger a Orquestra Filarmônica da BBC outra vez, agora tocando duas de suas próprias composições.

Ele passou uma tarde emocionante com a orquestra, durante a qual regeu a composição “Four Notes”, enquanto seu filho Nick tocava piano, e uma composição mais antiga sua chamada “Where’s the Sunshine” (Onde está a Luz do Sol, em tradução livre).

Paul, um ex-professor de música e pianista clássico, disse após a apresentação: “Foi mágico, foi muito, muito especial trabalhar com músicos tão maravilhosos. Isso me fez sentir vivo, eu não conseguia acreditar que uma orquestra tocaria minha música e eu estava em frente a ela regendo. Eu não regia há tanto tempo antes disso, foi uma grande emoção”.

O pianista aposentado nasceu em Stoke-on-Trent e estudou piano na faculdade ‘Guildhall School of Music’. Ele se tornou um compositor e um pianista de concerto, aparecendo em shows promovidos pela BBC em 1964.

A decisão de se tornar professor de música veio pouco antes de seu filho mais velho, Nick, nascer.

Décadas depois, em 2016, Paul mudou-se para uma casa de repouso especializada após ser diagnosticado com demência – termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo de doenças que causam um declínio progressivo da mente.

A demência causa perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.

Nick, que se juntou ao pai na viagem mais recente – organizada pela ONG “Music For Dementia” – disse que viu ele “voltar à vida” desde que o vídeo dele tocando piano se tornou viral.

E ele apoiou os apelos para que a música fosse uma parte fundamental do cuidado de quem sofre de demência. “Tocar comoveu meu pai, eu e meus dois irmãos incomparavelmente. Foi um sonho que se tornou realidade para meu pai reger e tocar com uma orquestra desse calibre aos 81 anos. É disso que os sonhos são feitos”, afirmou.

“Foi como uma experiência fora do corpo. Meu pai ainda está se recuperando, ele estava tendo lembranças do que tinha acontecido nos últimos dias. Sua memória de curto prazo geralmente é despedaçada, mas quando grandes eventos como este acontecem, é como um ferro em brasa em seu cérebro”, complementou.

Em entrevista para a BBC, ele também afirmou que a música transforma a mentalidade do pai.

“Pela minha experiência com meu pai, a música certa na hora certa pode ser absolutamente incrível. Mas você não precisa ser um músico talentoso para se divertir. Só de ouvir música, começa a desencadear memórias do passado e dá às pessoas essa conexão. Papai estava tendo um dia particularmente ruim na época. Foi fascinante como colocar o pai ao piano naquela época o trouxe de volta para mim”, relembrou.

“Pela primeira vez em anos, ele voltou à ativa. Isso realmente o trouxe de volta à vida. Ele está tocando piano mais do que em oito anos”.

Grace Meadows, diretora de campanha da Music for Dementia, que patrocinou o concerto, disse: “Foi algo mágico, comovente e maravilhoso vê-lo estar em seu elemento. Ver Paul enxergando além do diagnóstico e ter o contato com os músicos foi uma coisa maravilhosa. Foi muito emocionante”, concluiu.

Fonte: The Times UK
Fotos: SWNS / Reprodução

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